por F. Morais Gomes

28
Set 10

O estafeta apressava-se, correndo com a missiva de papel esvoaçando na mão. O telégrafo não parara,  pelo ar  alvoroçado, seria coisa séria. Que a missiva tinha de ser entregue com urgência no Chalet do Nabo, ordenara o chefe dos serviços postais.

-Mensagem para o Sr.Barros Queiroz! -gritou para a criada de fora o agitado rapaz.

A velha Ermelinda, na casa há oito anos, correu a chamar o patrão que escrevia no escritório:

-Sr.Tomé, é para si! Valha-me Nossa Senhora! Que pressa, rapaz, tem calma que te dá uma coisa!

Tomé de Barros Queiroz, comerciante em Lisboa, regressara uma semana antes das termas e descansava uns dias em Sintra, na casa que permutara com o Santana da Pepa. Os rumores sobre a morte do Dr. Miguel Bombarda faziam-no temer que fossem más notícias ligadas com as escaramuças envolvendo os marinheiros. Abriu apressado a mensagem e o semblante depressa passou de angustiado a sorridente e aliviado.

-Conseguiram! Enfim conseguiram!

-Más notícias, sr. Tomé? –sondou a Ermelinda,curiosa.

-Óptimas, Ermelinda, óptimas!

Voltando ao escritório, pegou na bengala e cartola e a pé galgou uns metros até ao Largo Afonso de Albuquerque, logo ao cimo da rua.

-Quando a senhora voltar de Colares diz-lhe que tive de sair, mas que não fique preocupada! -ainda gritou à Ermelinda, acelerando o passo.

A notícia dos republicanos triunfantes em Lisboa, enviada por José Relvas, deixou-o ufano, parecia um garoto correndo rua a cima. Que tinha de ser ele a anunciar o triunfo do movimento em Sintra, escrevia Relvas, na mensagem. Iriam enviar João Chagas e o Malva do Vale, para confirmar o sucesso das armas.

Chegado ao largo onde esperariam os enviados de Lisboa, já quase toda a vila sabia do sucedido e comentava-se a revolta à boca pequena, entre a apreensão e o júbilo.

-Parece que o rei fugiu para Espanha! E o Arreda está no Alentejo, escondido! -dizia o Pedro Costa Azevedo, velho republicano de Sintra, dando voz aos boatos, e eufórico.Barros Queiróz abraçava uns e outros, e conjecturava com Azevedo quando uma viatura preta e solitária fez soar o ruidoso motor vinda dos lados da Vila. A multidão, que já era significativa, ficou em êxtase e deu vivas à República e ao Governo Provisório, eram os enviados de Lisboa que chegavam. Um pouco mais perto, porém, descortinaram dois vultos de mulher, de roupa escura, uma com ar absorto e um véu preto cobrindo-lhe um chapéu largo, outra, vestida de forma mais modesta segurando uma mala

Barros Queiróz aproximou-se, em tom inquisitivo, para logo se deter, hesitante. Era a rainha, D.Amélia de Orleães e Bragança, que vinda da Pena se juntava à Família Real, de emergência levada na véspera para Mafra. Assumindo a liderança dos populares, Barros Queiróz pediu silêncio, e que todos se afastassem uns metros do veículo. Aproximou-se, e levantando a cartola esboçou uma vénia, reverente e discreta.

-Minha senhora….

A rainha, ainda marcada pela morte do marido e filho num fatídico Fevereiro dois anos antes, baixou os olhos, serena, perante a expectativa dos populares, para logo de seguida, após assentimento de Barros Queiróz, passar o veículo a velocidade lenta, observado em recato pela multidão até o pó da terra se dissipar no ar.Refeitos os ânimos, lá chegaram João Chagas e os demais dignitários, seguindo todos a pé, com Formigal Morais e Costa Azevedo mais expansivos, para os paços do concelho, que apenas poucos meses antes Virgílio Horta inaugurara em honra dos Braganças que agora se esfumavam. Sem oposição e emocionados, subiram ao varandim. Tomé de Barros Queiróz fitou a serra, a multidão e os companheiros que o ladeavam. E na singeleza das palavras, escreveu nesse dia História em Sintra, a Sintra onde se recolhia para saborear palhetos e discutir em acaloradas tertúlias nocturnas a política de que agora era actor, e que pela sua voz inaugurava a chegada dum período novo.

publicado por Fernando Morais Gomes às 09:50

26
Set 10

Passam este ano 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano, facto que vai ser recordado no Palácio Valenças, em Sintra, no dia 29 pelas 18h, através duma palestra de João Rodil, a qual desde já recomendamos. Em 1858,Alexandre Herculano foi eleito deputado por Sintra,o círculo 26,naquele tempo, e logo de seguida renunciou, tendo dirigido uma carta aos seus eleitores, justificando a recusa, assente no facto de que nenhum círculo eleitoral deve escolher para seu representante indivíduo que lhe não pertença, e que por larga experiência não tenha conhecido as suas necessidades e misérias, os seus recursos e esperanças; e acentuou, a dado passo”É honroso merecer a confiança dos nossos concidadãos, mas é mais honroso viver e morrer honrado.
Não haverá no meio de vós um proprietário, um lavrador, um advogado, um comerciante, qualquer indivíduo, que, ligado convosco por interesses e padecimentos comuns, tenha pensado na solução das questões sociais, administrativas e económicas que vos importam; um homem de cuja probidade e bom juízo o trato de muitos anos vos tenha certificado? Há, sem dúvida. Porque, pois, não haveis de escolhê-lo para vosso mandatário? (…)
Aconselho-vos, como acabais de ver, uma coisa para a qual os estadistas de profissão olham com supremo desprezo, a eleição de campanário, só a eleição de campanário, a eleição de campanário, permiti-me a expressão, até à ferocidade.
Sábias palavras, e premonitórias dum tempo em que os "pára-quedistas" na política voltaram e em força. O exemplo de Herculano, não frutificou infelizmente, e, se é verdade que muitas vezes não é o mero facto de se ter nascido num lugar que faz de quem o governa alguém mais competente ou diligente, (pode invocar-se a falta de distanciamento e permeabilidade a conhecidos e compadres) também é verdade que a ligação a uma comunidade de valores, tradições e comportamentos ajuda mais quem governa e quem é governado, ou representado, a sentir-se parte do Nós e não Nós face aos Outros. Ocasião para sugerir que na escolha de autarcas e representantes, no futuro, se reforce a presença dos que em Sintra nasceram ou desde sempre a adoptaram por residência, local de trabalho ou integração.

publicado por Fernando Morais Gomes às 08:21

24
Set 10

A revitalização cultural de Sintra passa,por, além da criação de sinergias e parcerias entre os agentes culturais dispersos, apostar num critério de cidade criativa, aprofundando  a conjugação de 3 linhas de força, a que Richard Florida no seu livro The Rise of the Creative Class chamou os 3 T:Talento,Tolerância e Tecnologia.

Mas para quem começa por baixo, os passos a dar passam não pela proliferação de eventos culturais contratados fora, mas antes de mais, a fim de criar um espírito grupal, pela disponibilização gratuita de espaços que possam ser centros de criatividade, encontro e troca de informações, algo como os ingleses fizeram com os Fab Labs, pequenas fábricas, ateliers, estúdios onde se possam instalar associações e pequenas empresas, fomentando uma economia criativa, com equipamento digital base, maquinas de impressão, equipamento gráfico, nas mais diversas áreas e onde possa haver troca de informação.

Este conceito catapultou já cidades antes adormecidas para novos paradigmas, como Sheffield, em Inglaterra, ou Helsínquia, com o seu Design Distrit. Em Amesterdão, o envolvimento de 9% da população em actividades e indústrias criativas ajudou ao crescimento do emprego. Na Suécia, a instalação de uma escola de artes circenses em Botkyrka, a 20 km de Estocolmo originou um centro de criatividade chamado Subtopia.

Chamar quem trabalha na ciência, arquitectura, design, moda, música, tecnologias e potenciar sinergias é o desafio que um espaço privilegiado como Sintra poderia agarrar. Pegue-se na Garagem da Estefânea, no Sintra-Cinema, na Portela, em instalações industriais encerradas, ou até na futura  Quinta do Relógio quando for municipal, e com um mínimo de condições de funcionamento, nada de faraónico ou de fachada, promova-se a junção dos criadores e criativos. Afinal a Cultura também contribui para o PNB e com relevo, como um recente estudo de Augusto Mateus elencou. Sintra Criativa, pegando nos modelos que já estão inventados, essa sim, pode ser uma Marca, criando uma verdadeira Economia da Cultura num território onde existem condições naturais, população jovem e criativa e factores de localização que podem gerar efeitos multiplicadores.

publicado por Fernando Morais Gomes às 08:45

21
Set 10

Na altura da  II Grande Guerra,em que se esperava sempre que as coisas piorassem à medida que o conflito se agudizava ,os ingleses popularizaram uma expressão que resumia o sentir e ansiedade com que cada dia era vivido quando procuravam notícias nos jornais:”no news, that’s good news”.

Nós por cá estamos um pouco na mesma, acordando diariamente com a angústia da nova má notícia do dia, se o aumento das taxas de juro, o corte nos vencimentos, mais um fogo ou uma calamidade, a crise da selecção, etc, parecendo que os deuses se abateram sobre este torrão ocidental.

É por isso que por cá nunca se é afirmativo ou positivo,as coisas são expressão dum karma onde se não piorar já não é mau.Ninguém diz que vai bem,”vai-se andando” ou “tem que ir”,como quem carrega um fardo e cumpre um fado, não vá o diabo tecê-las e as coisas piorarem  ainda mais.Ser português neste início de século é uma profissão de risco, onde só o tempo  ameno ajuda e o conforto de não piorar já não é mau .Mas bem vistas as coisas sempre foi assim, até na altura dos Descobrimentos havia velhos do  Restelo e o que é certo é que ainda cá estamos oitocentos anos de fado depois.Vai  ou não vai?Tem de ir!

publicado por Fernando Morais Gomes às 10:46

20
Set 10

Hoje não estar no Facebook é o mesmo que estar condenado à irrelevância e exclusão.Toda a nossa vida passou a ter uma dimensão real e outra virtual, onde se não passou ou foi comentado no Facebook é porque não existiu.Tens 100 amigos? és irrelevante.Não pertences a um grupo dos amigos dos ornitorrincos ou a favor da Amy Winehouse?Nem pensar.

O Facebook é uma tribo onde há feiticeiros, guerreiros, amigos e inimigos de estimação, onde saber se se acordou bem disposto pode originar 40 comentários mas a  falta de água em Arcozelo não interessa a ninguèm(pelo menos se tiver menos de 10 comentários).

Recentemente,The Economist chamava ao Facebook uma nação,onde há regras, protocolos, líderes,qual nova "comunidade imaginada", que se fosse um país seria a terceira potência mundial com os seus 500 milhões de utilizadores.Para mim, tem a virtualidade(e só isso, virtualidade...) de ser um meio de difusão, o Facebook ao serviço da Cultura e não uma Cultura do Facebook.Mas isso sou eu que sou cada vez mais das minorias...

publicado por Fernando Morais Gomes às 14:52

16
Set 10

Existe em Sintra, logo à entrada da Estefânea uma antiga garagem, hoje em ruínas, e que até abateu recentemente, que,para além do mau aspecto que dá logo na entrada da Vila e em ponto visualmente destacado,poderia ser equacionado como futuro espaço multiusos ao serviço de agentes ou produtores culturais locais.Deixa-se uma sugestão:porque não adquire a autarquia,ou contratualiza por qualquer forma a ponderar, a recuperação do espaço para aí alocar, mediante contrato-programa ou protocolo, associações ou empresas na vertente das indústrias criativas, em regime de parceria e com isso potenciar sinergias para novas centralidades culturais ao serviço dos sintrenses, em particular?

Dadas as dimensões do local, poderia ficar assegurado espaço para estacionamento, auditório, estúdios de trabalho, área administrativa, e cyber café,num sistema partilhado de despesas e receitas, podendo um sistema de fund raising ser aplicado para o auto governo do local.A Cultura em Sintra poderia pois aparcar ideias num novo e renovado silo de conhecimento(s)

publicado por Fernando Morais Gomes às 13:11

14
Set 10

Se tem saudades do Inverno, passe o Verão em Sintra, dizia-se antigamente , para ilustrar o clima cinicamente atlântico que por estas bandas sempre fez fica pé de se manifestar, e que por isso para muito aristocrata novecentista fazia dela um local suficientemente civilizado para veranear.

O clima de Sintra é, a bem dizer, “europeu”, comparado com o norte de África que é Lisboa, na pena avisada do Eça, desaconselhando pois  aventuras estivais próprias dos Algarves e outros lugares de classe média baixa. Creio mesmo que o clima ajudou à conquista do título de património da Humanidade. Sim, porque o delicious Eden tem tudo a ver com o tempo, que apesar de mau para os ossos é europeu e discreto, fora dos exageros  que só veleidades terceiro-mundistas podem apreciar.

Talvez por isso o Outono chega sempre antes a Sintra(a Sintra que começa no Ramalhão, entenda-se) com o seu ténue perfume e sensação de fim de algo que não se sabe bem o quê mas que em pessoas mais asténicas propicia depressão e nostalgia. É por isso que Sintra é bom para os escritores. Nenhuma obra prima da literatura foi escrita a esturricar ao sol, acreditem.

É nos fins de tarde que Sintra mostra como é diferente de outros lugares, e os seus musgos e araucárias rejubilam por mais um Outono ansiado.

publicado por Fernando Morais Gomes às 09:40

12
Set 10

Embalado pelo lento torpor outonal que anuncia o  virar de ciclo da estiagem sonolenta para o ritual despir das árvores, lembro do canto da velha roseira do jardim memórias da infância de veraneante burguês, a banhos em Sintra, com toldo ao mês na Praia das Maçãs e nêsperas suculentas das árvores da velha quinta.

Lembro o velho café do Alcino, durante décadas pensão e café, onde muitos de nós, veraneantes dos anos sessenta e setenta, ali assistimos ás tertúlias nocturnas de Agosto, quando as famílias da capital vinham a banhos,e se vestiam para ir à noite ao café, local de encontro social onde se escolhiam músicas na jukebox,, se admiravam os shows de ilusionismo do Xaimix, esse Merlin de aldeia que fazia chover moedas das nossas orelhas  e, onde nos gloriosos anos do Pantera Negra no Mundial de Inglaterra, se chegou a pagar para assistir aos jogos, numa das primeiras televisões que por lá apareceram, ainda abauladas e com falhas regulares na ligação á Eurovisão, enquanto se bebia um “pirolito” ou uma Laranjina C.

E havia o Salão, com cinema e teatro (cinco escudos dois filmes),e os matraquilhos "ao perde paga",e apanhavam-se enguias no rio, e tocava-se viola e ficava-se na conversa até ás 5 da manhã encostados aos muros das casas até que os galos da manhã cantavam e finalmente  um sono confortante nos esperava. Era um mundo imutável,  previsível, aconchego de certezas e promessas de felicidade renovada a cada Verão. E assim passaram anos, e décadas, e a sépia virou cor, as televisões viraram  rectangulares e os toldos ao mês mudaram para Sul.

Como parecia longa a viagem de 3 horas entre Lisboa e Sintra, por dentro da Amadora e Massamá (ainda sem prédios),e os carros da Sintra Atlântico e do Eduardo Jorge, os pêssegos gigantes e as maçãs reinetas, e as noites cacimbadas a falar de tudo no velho café do Alcino, inventando peças de teatro que depois se gravava altas horas da noite em bobinas de fita.

Um dia chegou um tempo novo, madrugada dita redentora, e as árvores viram novos personagens, novos sons, cartazes nas paredes, caseiros que agora também se sentavam na mesa dos “senhores de Lisboa”.Várias luas e sóis passaram, as mesmas árvores e ventos renovaram a sua magia todos os anos, e  de novo cá esperamos, como se da primeira vez se tratasse, mais um Outono intruso mas familiar, com a brisa leve vinda desse mar oceano soprando sobre a velha casa cheia de mundos idos e outros ainda a vir.

publicado por Fernando Morais Gomes às 14:56

Ao domingo pela manhã, é tempo de cumprir o ritual de ler os jornais para ver a opinião publicada e a partir daí passar-se também a ter opinião, já não própria mas de acordo com as tendências.A  preferência dos leitores varia conforme a proximidade dos factos:é mais importante o assalto da carteira da vizinha, reportado em parangonas, que o eventual lançamento dum míssil pela Coreia do Norte.

Aos domingos, entre a meia de leite, o desportivo de acordo com o clube de paixão, e umas partidas e chegadas para o centro comercial mais próximo, todos têm os seus 5 minutos de antena:"eles" é que são os culpados."eles" levam "isto" ao abismo, "nós" temos de aguentar, "eles" falharam o penálti, "nós" ganhámos.Nada é real, tudo resiste, persiste, mas não existe se não na forma como olhamos para o Outro.E assim vamos suspirando vítimas "disto" por entre nostalgias quotidianas onde o azul é cor fugidia e o cinzento forte paira como karma, por culpa "deles".

Procura-se a Verdade, mas ela nunca vai verdadeiramente lá estar pois cada um vai reclamar a sua, avassalada pelo estigma, a insegurança de tempos finitos.

Enfim, o mundo tem 4 ínfimos minutos,e convêm deixar alguns segundos ao domingo de manhã para salvá-lo, entre um pão de leite e uma bica pingada, e talvez, se o Sol brilha e o clube ganhou, uma tosta mista ou um favaios.

A serra vigia,o eléctrico passa na dolência de velho elefante,e nós esperamos o Godot que nos há-de trazer um jornal só de boas notícias e nos resgate do cinzento.É mais uma bica, por favor!

publicado por Fernando Morais Gomes às 12:10

Eis um escrevinhador sob a égide de Baruch Spinoza: "Interessam-me os factos humanos não para aplaudi-los ou censurá-los, mas meramente para compreendê-los". Porque não há só preto ou  branco, muito cinzento por aí há também.

Alguém disse que quem não é revolucionário aos 20 anos, não tem coração, mas quem é aos 40 não tem cabeça. Revolucionar é viver sossegadamente inquieto, buscando ítacas tangíveis nos mares revoltos da incerteza, num tempo em que Cristo e Marx voltaram para o baú da História, e o blogue solitário venceu as tertúlias de café pondo milhões a "comunicar" sem falar e  discutir sem argumentar, quando as críticas dispensam a voz sentida e exaltam o teclado solitário, desassossegue-se, pois, pelo meio de um café. Com adoçante.

publicado por Fernando Morais Gomes às 00:53

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