por F. Morais Gomes

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Um pequeno parêntesis nas "estórias" diárias para assinalar hoje, 10 de Dezembro ,o Dia Internacional dos Direitos Humanos,no  dia em que Liu Xiaobo, activista e director do Pen Club chinês deveria receber o Prémio Nobel da Paz em Oslo mas preso a  cumprir pena de  onze anos por delito de opinião.

Estando o mundo globalizado muito longe de privilegiar os direitos do homem como uma conquista civilizacional (it’s the economy, stupid!) este paradoxo surge num momento em que minorias étnicas como os rom são perseguidos sob a capa de normativos burocráticos na França de Sarkozy, as cleptocracias africanas e asiáticas lavam as mãos sujas de sangue no petróleo e gás natural que o dito Ocidente rendido lhes mendiga, e o securitarismo paranóico nos aeroportos faz de cada vulgar turista um terrível extremista pronto a sabotar com um sapato ou um perfume. Isto ao mesmo tempo que aqueles que revelam as verdades inconvenientes são presos em nome da dita “segurança nacional”…

Uma palavra hoje pois em especial para a China, a de Liu Xiaobo e os activistas da Carta 08,bem como Han Dongfang,advogado que tem lutado pelos  direitos dos trabalhadores na China, ou Hu Jia, detido em Dezembro de 2007, juntamente com a sua mulher Zeng Jynian  antes dos Jogos olímpicos de Pequim e a quem o Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov em 2008.

Em Portugal, país de brandos costumes, algumas patologias mantêm-nos ainda na lista dos países com reparos: a polícia e os guardas prisionais ocasionalmente agridem ou abusam de detidos e presos, os menores encarcerados nem sempre são mantidos em separado dos adultos, as condições nas prisões são más e muitos detidos pela polícia não tiveram direito eficaz a um advogado, com relatos frequentes de uso excessivo de força pela polícia e maus tratos a detidos por guardas prisionais.

Alguns destes relatos levaram a investigações ao nível da Inspecção Geral da Administração Interna que culminaram em reprimendas, suspensões temporárias, penas de prisão, reformas compulsivas e expulsão das forças de segurança.

Quanto às prisões subsistem problemas de sobrelotação, instalações degradadas e insalubres e violência entre reclusos com taxas de prevalência de HIV/Sida e de hepatite C altas.

Em crescendo estão os casos de discriminação e de agressões a mulheres, incluindo violência doméstica. No campo da igualdade homens/mulheres esta na prática  ainda sofrem discriminação económica com um salário em média 23% inferior à média dos homens.

O caminho para a cidadania plena é lento mas estimulante.

Liu Xiaobo

publicado por Fernando Morais Gomes às 10:36

A China é de facto um grande país, com uma economia de peso, mas o seu regime político transforma a nação num pequeno tigre de papel que não convive bem com a democracia. Com a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo isso ainda foi mais evidente: a censura rançosa do moderno social-comunismo nos meios audiovisuais, na internet e a tentativa de intimidar os países que marcassem a sua presença em Oslo. O cúmulo do despeito aconteceu com a criação apressada do Prémio Confúcio da Paz que acabou por ser um contra-senso pois a doutrina filosófica do confucionismo baseia-se na consciência política e no respeito pelos valores morais e sociais. Nem a compra de parte da dívida pública portuguesa pela China poderá jamais branquear o desterro do Dalai Lama, o massacre de Tiananmen e as constantes violações dos direitos humanos de personagens como Liu Xiaobo.
Dylan a 19 de Dezembro de 2010 às 22:24

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