por F. Morais Gomes

15
Dez 10

Passam hoje 15 de Dezembro 125 anos do falecimento do rei D.Fernando,após uma queda à saída do teatro de S.Carlos na qual entrou em coma falecendo três horas depois.

Foi D.Fernando II quiçá o primeiro grande defensor do património nacional.Desde obras profundas que mandou fazer no então arruinado Mosteiro da Batalha e em Alcobaça(onde chegou a pensar instalar uma escola de restauro),até ao Mosteiro dos Jerónimos,onde gastou do seu bolso 6.000.000 réis(foto abaixo)ao Paço dos Duques de Bragança,em Barcelos,em ruínas e consumido pelo fogo em 1852,ou ao Convento de Cristo em Tomar, o rei não só pugnava pelo restauro,como fazia ofertas do seu bolso e amiúde visitava as obras.
A ele se deve o restauro do tríptico Tentações de Santo Antão,de Jeronimus Bosch,que ele descobriu no Paço das Necessidades,ou a descoberta, na Casa da Moeda de Lisboa,á beira de ser fundida,da Custódia de Belém,de Gil Vicente.Ou a recuperação do Templo de Diana,em Évora,ocupado como talho e totalmente desprezado à época.
Este alemão foi  como poucos um Grande Português.

D.Fernando Saxe Coburgo-Gotha,filho do Duque de Saxe Coburgo e da Princesa Kohary da Hungria foi o príncipe mecenas de Portugal,e de Sintra,tendo a Sintra trazido uma plêiade de artistas que moldaram o que ainda hoje é a sua paisagem e com marcas visíveis.
Entre eles,Friedrich Welwitsch,biólogo que em 1939 foi nomeado director do Jardim Botânico da Ajuda,Wenceslau Cifka,austríaco que arborizou a serra de Sintra da forma que ainda hoje conhecemos,ou o dr Kessler,médico do príncipe-rei,cujo filho construiu o elevador(ainda existente) da Nazaré.Mas também o músico Victor Hussla,compositor da "Suite Portuguesa",o pintor Katzenstein,e seu irmão,Emil Biel,que introduziu a fotografia em Portugal,a luz eléctrica,o primeiro gramofone,ou o primeiro automóvel,um Benz.Inclusive por essa altura vieram os pais de Alfredo Keil,o autor do hino nacional anos mais tarde.
De todos se destaca contudo o barão von Eschwege,que veio para Portugal como mineralogista em 1803,e que lutou enquadrado no exército português contra o exército napoleónico,até 1810,quando foi chamado ao Brasil por D.João VI,onde se manteve 11 anos,em trabalhos topográficos e levantamentos.Regressado a Portugal,foi promovido a general e nomeado Intendente Geral das Minas e Metais do Reino,e a quem D.Fernando confiou a elaboração do projecto de transformar o convento jerónimo da Pena num monumento  neo-gótico que representasse o imaginário de Portugal em pedra.
Também estes estrangeiros,portugueses de coração, fizeram parte da história de Sintra.Cabe aos que cá estão guardar a Memória estudar-lhes o Legado e fazer crescer o Projecto.Sábado, num concerto em Monserrate com música os sintrenses vão recordá-lo, lá na Grande Floresta onde ainda o seu espirito vive eterno.

publicado por Fernando Morais Gomes às 10:18

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