por F. Morais Gomes

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Dez 10

A forma anémica e mortiça como a comunidade local reage a situações de ofensas ao património ,como o recente caso dos plátanos de Colares o demonstra,é paradigmática do que o português médio e urbano nos dias de hoje tende a ser. Nesse caso, não estando em causa os tratamentos fitossanitários que se imponham e que respeitem estritamente os relatórios técnicos produzidos (depois duma serra na mão é difícil ver até onde pode ir o entusiasmo do funcionário…) está em questão que património é também  direito à imagem, aos som e aos cheiros, aos silêncios até, toda uma panóplia por vezes imaterial que estudos da UNESCO hoje já consagram. Colares são também os seus plátanos, há uma usucapião moral e emocional naquela imagem e naquele espaço cénico. Quando se está constipado não se corta a cabeça ao doente, trata-se,opera-se, não se marca a autópsia. Para já ,a Estradas de Portugal,com a assistência ao jogo distraída,marcou de penaltí.Só que não houve nenhuma falta…

A forma como a comunidade se comporta, casuisticamente e através de vozes que nem sempre se conseguem ouvir ou o fazem ingloriamente, quais gauleses rodeados de legiões romanas (mas sem poção mágica, infelizmente…) trás a terreiro a imagem daquilo em que se está a tornar a nossa sociedade urbana e descentrada (e para mais flagelada pela famigerada crise)

Para alguns Trendsetters (especialistas em novas tendências) esta caracterizar-se-á cada vez mais por se preferir o Skype ao telefone, fazer escapadelas de fim-de-semana ao estrangeiro, apostar num disco rígido ligado à TV, não gostar de fumar e tomar o associativismo ou vida partidária como coisas fora de moda.

Segundo os autores de um estudo de que o PÚBLICO recentemente se fez eco, o português no futuro preferirá cada vez mais causas e acções de protesto pontuais, e procurará amigos temáticos fruto de diversidade cultural. As pessoas estarão menos disponíveis para aderir por períodos muito longos a organizações fixas e preferirão actuar por impulso, vincando um individualismo em que é mais estimulante o que se passa na vida de cada um ou do seu núcleo de amigos do que o que se passa na sociedade. Isto coincide com o incremento da Internet e o fim do televisor único em casa, com vários aparelhos por habitação e a possibilidade de pré-escolher os programas e as horas a que passam, fazendo de cada um um programador de televisão.
Neste quadro, a oferta cultural tenderá para ser feita á medida, com um quadro social fragmentado e de nichos, onde a visão de bloco, anterior, tenderá a desaparecer. É a idade do indivíduo em rede, onde partilhar um projecto ou uma mensagem no YouTube ou no MySpace é mais apetecível que as tradicionais reuniões ou rituais da cultura de massas anteriores. O paradigma mudou, e o futuro já não é como era. Há pois que estar atento e saber passar a mensagem neste novo universo fragmentado.


Colares arborizado:cada vez mais passado....

publicado por Fernando Morais Gomes às 11:14

Alguma responsabilidade têm também as Associações existentes aqui no burgo. São poucas e, com respeito ao trabalho de sensibilização e esclarecimento, mais NADA, que POUCO, fazem. Quer a Associação de Defesa do Património de Sintra quer a Alagamares só acordaram no fim quando a sentença já estava ditada para dois dias depois. O problema dos Plátanos de Colares já se arrastava há muito tempo. Basta consultar o "Rio das Maçãs" do Pedro Macieira, esse sim, sozinho, fez um trabalho notável.
emília reis
emilia reis a 17 de Dezembro de 2010 às 16:48

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