por F. Morais Gomes

12
Set 10

Ao domingo pela manhã, é tempo de cumprir o ritual de ler os jornais para ver a opinião publicada e a partir daí passar-se também a ter opinião, já não própria mas de acordo com as tendências.A  preferência dos leitores varia conforme a proximidade dos factos:é mais importante o assalto da carteira da vizinha, reportado em parangonas, que o eventual lançamento dum míssil pela Coreia do Norte.

Aos domingos, entre a meia de leite, o desportivo de acordo com o clube de paixão, e umas partidas e chegadas para o centro comercial mais próximo, todos têm os seus 5 minutos de antena:"eles" é que são os culpados."eles" levam "isto" ao abismo, "nós" temos de aguentar, "eles" falharam o penálti, "nós" ganhámos.Nada é real, tudo resiste, persiste, mas não existe se não na forma como olhamos para o Outro.E assim vamos suspirando vítimas "disto" por entre nostalgias quotidianas onde o azul é cor fugidia e o cinzento forte paira como karma, por culpa "deles".

Procura-se a Verdade, mas ela nunca vai verdadeiramente lá estar pois cada um vai reclamar a sua, avassalada pelo estigma, a insegurança de tempos finitos.

Enfim, o mundo tem 4 ínfimos minutos,e convêm deixar alguns segundos ao domingo de manhã para salvá-lo, entre um pão de leite e uma bica pingada, e talvez, se o Sol brilha e o clube ganhou, uma tosta mista ou um favaios.

A serra vigia,o eléctrico passa na dolência de velho elefante,e nós esperamos o Godot que nos há-de trazer um jornal só de boas notícias e nos resgate do cinzento.É mais uma bica, por favor!

publicado por Fernando Morais Gomes às 12:10

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